Gestão ética dos cães errantes para proteger a biodiversidade em áreas de ocorrência do lobo

19.05.2025

Os cães errantes, sejam abandonados ou incontrolados, representam um grave problema para a biodiversidade e segurança pública, podendo provocar ataques a pessoas, gado e a espécies selvagens como o corço, uma presa natural do lobo. Estes animais constituem também risco potencial de transmissão de doenças ou cruzamentos com o lobo, resultando em híbridos férteis, que ameaçam a integridade genética da espécie. Além disso, os cães errantes podem também ser uma fonte ocasional de alimento para o lobo, constituindo assim um fator de atração deste predador para próximo de núcleos urbanos.  

Com o objetivo de prevenir a proliferação de cães errantes em áreas rurais com presença de lobo, e contribuir para uma gestão adequada e ética dos cães vadios e errantes, no âmbito do Projeto LIFE WILD WOLF foi celebrado um protocolo entre o Município de Paredes de Coura e duas associações locais de defesa animal (ACOD e ADAC), de forma a garantirem a esterilização de cães errantes resgatados em zonas rurais e fomentar a adoção responsável destes animais. 

Os animais capturados  são assistidos por veterinários responsáveis pela sua esterilização, colocação de um dispositivo de identificação eletrónica e registo no Sistema de Informação de Animais de Companhia (SIAC), permanecendo sob a responsabilidade das associações até serem conduzidos para adoção ou famílias de acolhimento.

Entre 2023 e 2024, foram recolhidos, esterilizados e identificados com microchip um total de 93 cães errantes, muitos deles conduzidos para adoção. A maioria dos cães foi capturada nas freguesias incluídas na Paisagem Protegida do Corno do Bico, área classificada como Sítio Rede Natura 2000 onde ocorre uma alcateia reprodutora de Lobo-ibérico. Esta ação representa um passo significativo na redução de uma importante ameaça à conservação do lobo numa área com elevado interesse ambiental.